Do Brasil pro mundo, agora na Romênia. Uma vida dedicada a esta arte. Há 20 anos atrás isso era um blog. Resolvi voltar. O corpo vai dificultando mas as idéias vão clareando. É preciso refletir, contar, dividir. Agora é um local para quem quer me acompanhar nessa viagem. Mas é local também para meus devaneios. Eu avisei.
Foram ANOS de estudo e pesquisa em diversas regiões e até países distintos, muita conversa entre colegas professoras, muitas adaptações e traduções e muito esforço entusiástico até chegar a este resultado... Espero poder contribuir de forma positiva com esta arte a qual dediquei minha vida! É para você bailarina, professora ou estudante, amadora ou profissional, que abro as páginas deste trabalho com toda minha dedicação. Espero que assim você também o receba: com mente e coração abertos.
Dentro de alguns dias, você poderá baixar gratuitamente todo este conteúdo, com prefácio da mestra Lulu Brasil e junto participar de algumas celebrações deste lançamento que já estão sendo agendadas.
GLOSSÁRIO DA DANÇA DO VENTRE
- A nomenclatura técnica para esta arte milenar -
Por favor compartilhe esta informação! Esta obra têm o intuito único de nos unir numa mesma linguagem.
"...com toda minha paixão, meu tempo e meu suor pra quem ama como eu."
Suheil
*Trabalho registrado no Ministério da Cultura, Fundação Biblioteca Nacional - Escritório de direitos autorais.
Para quem não estava antenado ou para quem esteve lá...
Esta semana que passou aconteceu o Festival Mozaico, organizado pela mega mestra Lulu Sabongi em seu espaço, o Shangrilá House.
Diferente dos últimos festivais que tenho frequentado, o número de alunas por aula foi limitado, o que permitiu um aprendizado de qualidade muito sup
erior! Era possível obter correções e observações individuais, além claro de estar muito mais próxima aos professores, o que de imediato já faz toda a diferença.
Tive a oportunidade de estudar Mouwashahat com Khaled Seif e confesso: diferente sim de todos os outros mestres com quem estudei esta modalidade da qual me tornei totalmente adepta e adicta. A leitura que ele deu aos movimentos foi única e completamente engrandecedora. Me deixou muito mais livre para continuar criando neste estilo e sabendo como valorizar cada momento musical único com muito mais criatividade - sorte enorme das cariocas que farão workshop neste tema comigo semana que vem! Estou remodelando tudo! rs... - A palavra de ordem alí, muito mais que técnica, foi ALMA. E Mouwashahat de fato toca minha alma... Valeu cada centavo e cada segundo investido!
Nasceu ali o meu mais novo super herói.
Meu novo super herói, Khaled Seif
Depois foi a vez de estudar Om Khoulsoum com Gamal Seif. Confesso que sempre tive dificuldades com as músicas dela, talvez justamente porque não me tocavam a alma tão profundamente. O maior dos lucros? Acho que depois de minha passagem por Gamal, consegui descobrir em algum lugar de minha alma, um "espírito Khoulsoum" adormecido.
Difícil despertá-lo, mas aconteceu! Sem falar num certo respeito, muito maior, que adquiri para as futuras interpretações neste, digamos, estilo.
Gamal exige primor técnico, exige leitura musical apurada, no ritmo, na melodia, na voz. Nada passa desapercebido. Detalhes que fazem a diferença são observados e exigidos da aluna atenta. Concentração em grau extremo para absorver tanta informação que ele consegue transmitir de forma tão generosa! Um aprendizado sem fronteiras, sem tamanho, sem medida.
Voltei pra casa com as emoções a flor da pele, como há muito não acontecia.
Meu novo super herói, Gamal Seif
O que achei realmente incrível e de extrema identificação, foi algo que eu não estava ali para buscar, mas aconteceu! Diz respeito a essa "babaquisse" que se instalou numa ridícula (desculpe, mas é o termo!) campanha contra o ballet na dança do ventre.
Não vou entrar nesse detalhe, porque o buraco ao meu ver é bem mais embaixo e na verdade me parece que ninguém nem está falando a mesma língua nessas discussões virtuais e também nem estão querendo se entender... Querem mesmo é polemizar! Então...
Vou relatar o que ELES, egípcios, disseram sem nem mesmo saber do que por estas terras tupiniquins andam falando a respeito.
1- "Não falem dançarinas do ventre! Nós egipcios não gostamos, não respeitamos isso. Vocês são bailarinas orientais! " - daí fez uma postura bem torta, estufou a barriga para fora de forma absurdamente cômica e disse: "Isso é uma dançarina do ventre". Depois encolheu a barriga, subiu o peito, colocou-se elegantemente e com o nariz arrebitado disse "Isto é uma bailarina Oriental. E vocês são bailarinas!"
2- Começou a aula perguntando: "Alguém aqui já estudou ballet?". E acrescentou: "O ballet é o pai de todas as danças. Do moderno, do jazz, da dança de salão, do hip hop... e também da dança do ventre. Estudar ballet é fundamental para se ter qualidade em dança oriental."
Dado o recado.
Bom, acho que por hoje basta!
Você perdeu o Festival Mozaico? Chore. Chore muito!
Porque perdeu junto a maravilhosa oportunidade de estar ao lado de grandes nomes da dança e de aprender muito com eles!
Mas tudo bem... respire fundo e organize-se!
Lulu promete que ano que vem tem mais!!
Aliás, como último comentário deste post fica aqui o "Mega Super Obrigada" para a Lulu, que nos proporcionou este evento de altíssima qualidade, escolhendo a dedo 2 profissionais estrangeiros únicos (sem falar nas colegas do Shangrilá, claro!).
E agradeço também a confiança que me depositou me dando a chance de ter uma "palhinha" como tradutora do Gamal, o que acabou de alguma forma me aproximando um pouco mais deste grande mestre. Foi um prazer e uma honra!
Com Lulu (super heroína desde sempre).
Exemplo de profissionalismo, de mestra, uma pessoa muito amada e agora também, parceira.
Aliás, para quem ainda não sabe estou agora na "Equipe Shangrilá", ministrando aulas nesta "minha nova casa" todas as 4ªfeiras.
Poder estar no espaço da Lulu está sendo uma parte deliciosa deste meu retorno a Sampa depois de tantos anos fora. Mas isso será assunto de um outro post...
Inspirada em minha última aula do CFPDV* no Rio de Janeiro onde falamos sobre a biomecânica e a anatomia dos movimentos e tendo em vista que minhas queridas alunas estão trocando textos entre si aparentemente super decididas a estudarem e compreenderem melhor o assunto (não é só porque vale nota no TCC, né?) ... Tia Suh vem dar um pequeno suporte!
Históricamente falando...
Tudo começou lá com Aristóteles, que decidiu registrar suas observações sobre o ato de caminhar. Ele observou que os membros inferiores do homem e as patas dos animais contra o solo, causavam uma espécie de ação. De lá pra cá, muita coisa foi descoberta, ratificada, reestudada.
Mas também entrou nessa história, a 3º Lei de Newton. Ela basicamente explica que a gravidade é uma força externa que age sobre um objeto sobre a terra e que para equilibrar essa força, uma segunda força externa precisa ser introduzida. Exemplo: um livro apoiado sobre a mesa, recebe a ação de pelo menos duas forças: a da gravidade e a força exercida pela mesa. Ou seja, o objeto sobre a mesa sofre ação da tração da gravidade e a mesa reage à força da gravidade com uma força igual e oposta. Lembra das sua aulas de física no colégio, quando o professor falava de ação e reação? Mais ou menos por este caminho!
A Mecânica por si só, é uma área da física e da engenharia que lida com a análise das forças que agem sobre um objeto, descrevendo a causa de determinado movimento.
A Cinesiologia (matéria de um próximo post!) possibilita a aplicação das leis e princípios básicos da mecânica na avaliação das atividades humanas.
Sendo assim, podemos dizer que a Biomecânicapode ser definida como a aplicação da mecânica aos corpos humanos e animais, organismos vivos, tecidos biológicos... Ou ainda, o estudo da mecânica dos organismos vivos.
Podemos considerar dois tipos de Biomecânica: a externa, que estuda as forças físicas que agem sobre os corpos e a interna, que estuda a mecânica e os aspectos físicos e biofísicos das articulações, ossos e tecidos do corpo.
Alguns conceitos são de fundamental importância para entendermos porque é tão importante o estudo da Biomecânica na dança. São eles:
1- O Centro de Gravidade
A localização do Centro de Gravidade do corpo varia dependendo da posição em que encontra-se este corpo. Se você está ereta por exemplo, ele será como uma linha, formada pela interseção de um plano que corta o corpo em direita e esquerda, e outro plano que corta o corpo em metade anterior e posterior (frente e trás).
2- A linha de gravidade
Ao longo desta linha imaginária que chamamos de Centro de Gravidade, podemos considerar que a gravidade atua em nosso corpo, puxando-o diretamente para baixo em direção ao centro da terra. Essa é a linha de gravidade.
3- Base de apoio
A base de sustentação ou base de apoio é a área formada abaixo do corpo, como se considerássemos todos os pontos de nosso corpo que estão em contato com o solo.
Pense comigo:
Quando você está numa posição fixa, estática, com a linha de gravidade passando através da sua base de apoio, dizemos que você está estável, compensada, equilíbrada. Se a linha de gravidade passar fora da sua base de apoio, o equilíbrio e a estabilidade são perdidos.
Para nós que dançamos, é extremamente importante analisar mecanicamente os movimentos que executamos com nosso corpo e outros objetos, sabendo exatamente como a força da gravidade atua em nós! Afinal, durante nossa dança, utilizamos:
o equilíbrio estático (parado), mas principalmente,
o equilíbrio dinâmico (em movimento).
E tem mais!
4- Planos e eixos
Planos de ação são linhas fixas de referência pelas quais o corpo se divide. A saber, são 03: O plano frontal ou coronal (frente e costa) responsável pelos movimentos de abdução e adução, o plano sagital (direita e esquerda) responsável pelos movimentos de flexão e extensão e o plano transverso ou horizontal (superior e inferior) responsável pela nossa rotação.
5- Alavancas
Uma alavanca, por definição, é uma barra rígida que gira em torno de um ponto fixo quando uma força é aplicada para vencer a resistência. Traduzindo: aquilo que faz você se mexer, iniciar um movimento. Maior a quantidade de força ou maior o braço da alavanca, maior o movimento de força.
E daí tudo isso?
Quando analizamos um movimento técnicamente, principalmente dentro de uma dança acadêmica, sabemos onde ele começa, aonde está a sua base e o seu eixo, de onde vêm a alavanca, o que acontece durante o seu desenvolvimento e também aonde ele termina.
Desta forma fica muito mais simples (!) entender porque determinado movimento "não está saindo" ou aonde você está errando em sua execução.
Bom, para quem já teve algum contato com meu método de trabalho, sabe que esta é uma das sólidas bases do desenvolvimento técnico em dança que eu proponho; o estudo profundo da execução de cada movimento da dança, analisado e compreendido em sua total complexidade.
Mas como o post hoje é biomecânica... foco Suheil!
Deixo aqui de presente alguns videos que selecionei "a dedo" na net para ilustrar os conceitos de biomecânica aqui (e nas nossas aulas) mencionados.
Espero que curtam!
Este 1º é só pra ilustrar a nossa visão de câmera lenta, fundamental nestas análises...
Este eu escolhi porque demonstra as escápulas, um de nosso primeiros temas...
Este é bem próximo da parte da biomecânica que "nos interessa" - não se prender a nomenclatura de músculos, mas descrever como o movimento acontece.
Esse eu achei que ilustraria muito bem o conceito de nossa 1º aula de consciência corporal, sobre "respirar nas articulações"... até na música! Além claro, do rapaz dar um show de performance temática.
Esse é um pouquinho chato no começo, mas tenham paciência, pois o desenvolvimento e a apresentação dos conceitos de equilíbrio apresentados mais pra frente fazem valer a pena cada segundo gasto...
Aqui eu vos apresento, "o Pé". Nossa base mais sagrada. Nem preciso explicar porque este video está aqui, preciso?
E pra "pirar o cabeção" de vocês... a biomecânica em sua complexidade original.
Pena que não achei um de dança, então vai de arremesso mesmo! Assim vocês saberão exatamente quais músculos precisarão mexer se quiserem arremessar a Tia Suh da janela depois de nossas próximas aulas de Anatomia do Movimento.
- Será mesmo que eu devia ter postado esse video?
Espero que este post tenha ajudado a esclarecer um pouquinho mais ...
... pra quem chegou agora, da importância de estudarmos, na luta pela valorização desta nossa arte tão desmerecida por muitas "pseudo-profissionais";
... pra todas as minhas alunas, presenciais e/ou virtuais que fritam os miolos em minhas salas de aula.
Beijo carinhoso a todas vocês!
;)
*Curso de Formação para Professoras de Dança do Ventre, Método Acadêmico Suheil de Ensino